V-Studio

O namoro da Roland com a Cakewalk já passou pelos estágios de noivado e casamento. Na fase do namoro, já formou triângulos com marcas de guitarra, gerando a GR-500 (Ibanez), G-505 (Fender Telecaster), G-303 (Gibson SG) e G-202 (Fender Strato), sem falar na intromissão da Cakewalk na época do GR-30, com o software Guitar Studio e uma strato com GK-2A.
Mas aventuras à parte, o casamento agora gera filhos com DNA mais apurado. É o caso do V-Studio, um sistema que integra o poderoso Sonar Producer 8 junto com o Rapture, um outro software sintetizador da Cakewalk; o console VS-700C, a interface VS-700R e o sintetizador Fantom VS, que pode ser expandido através de um slot ARX no VS-700R.
SONAR 8
O Sonar 8 foi lançado em setembro de 2008, e suas principais incrementações em relação à versão anterior são a compatibilidade com o Windows Vista, novos instrumentos virtuais como o Dimension Pro e a ampliação das taxas de bit depth e sample rate de 24 bits / 384 kHz, em plataformas de 32 ou 64 bits, como é o caso do V-Studio.
Isso significa que, de cara, o Sonar agora conversa com a nova plataforma multimídia do Vista, a Wasapi – Windows Audio Session API, que é, nada mais, nada menos, a melhora do velho MME do Windows 3.1 de décadas atrás, já de olho no driver de áudio WaveRT, que em breve deverá concorrer com o ASIO. Uma visão de futuro.
Além dos instrumentos virtuais, com os 7 Gb de sons do Dimension e o Beatscape – que carrega samples e loops como o Battery, da Native Instruments em AudioSnap, como o Rapture – o Sonar carrega um dos pianos Amber VSTi, que mesclam amostragem com síntese de modelagem. Um piano acústico altamente maleável e adaptável a teclados controladores.
Vários plug-ins foram acrescentados ao Sonar, como o TS-64 que dá um bom tapa nas dinâmicas dos transientes de guitarras, baterias e percussão. O TL-64 simula circuitos valvulados, já com presets, e uma versão reduzida do Guitar Rig 3, da Native, um dos melhores simuladores de efeitos para guitarra.
Quer mais? O Roland V-Vocal, com conversor de afinação para MIDI, um reverb Lexicon Pantheon, um compressor Sonitus Surround, e o equalizador para masterização e compressor LP-64, mostrando que os usuários Sonar agora podem ir da gravação à masterização sem sair do software. Demorou, e usuários de Cubase, Pro Tools, Logic, que se cuidem.

VS-700C
O console otimiza o uso do Sonar “na real”, ou seja usando como base um conjunto de faders de 100 mm, motorizados, em um banco de 8 módulos, aos quais podem ser associados canais que por sua vez podem ser alternados. Há uma entrada de áudio com regulagem de impedância bem na frente do aparelho, para lugar uma guitarra ou microfone, por exemplo.
O VS-700C tem uma seção com 12 encoders em formato de knob, que controlam a equalização, as mandadas ou ACT. Quando controlam a equalização, os knobs editam o ganho, frequência e outros parâmetros, e quando controlam o ACT, são remetidos para os parâmetros dos efeitos, do instrumento ou mixagem.
O console tem também rodas de jog, shuttle e a possibilidade de passear pelo projeto com cursores. O surround é também uma preocupação do sistema, com a presença no mixer de um joystick panner e controles de F/R, balanço e LFE, além de compatibilidade com V-Link, que permite ao Sonar conversar com sistemas de vídeo Edirol DV-7, por exemplo.
Tudo isso é monitorado por um visor LCD 2 x 13 e outro de 7 segmentos, que mostram timecode. Há medidores para cada canal e para a master, e a seção Monitor controla o estéreo principal, submix e 2 fones de ouvido. Uma seção Access Panel chama, com uma só tecla, mais de 45 comandos do Sonar. Para meseiros que detestam controles na tela, é o bicho.

VS-700R
É uma interface USB 2.0 com 20 entradas e 26 saídas, que trabalha a 24 bits / 192 kHz, com baixa latência, o que é muito conveniente com o novo suporte a baixas latências do Sonar 8. Seus medidores do painel frontal complementam os do console VS-700C. Existem 8 entradas analógicas (XLR ou plug de 1/4) com phantom de +48v.
A interface tem compressão, corte de graves e atenuação nas entradas, 10 saídas analógicas com plug de 1/4, saídas XLR para monitores, saídas sub em estéreo, entradas e saídas AES/EBU, S/PDIF e ADAT, entrada e saída MIDI e sincronismo externo digital com entrada e saída de wordclock.
FANTOM VS
Presente na interface VS-700R está o hardware do sintetizador Roland Fantom VS, que funciona como um instrumento VSTi, cujo acesso se faz via plug-ins e editor do Sonar. O sintetizador é controlado pelo DSP dentro da VS-700R, o que praticamente acaba com a latência e não assusta a CPU.
O Fantom tem 1400 programas, e um slot para placa de expansão ARX, que podem acrescentar sons do Roland SuperNatural, como os ARX-01, de bateria, ou os ARX-02, de pianos elétricos. A arquitetura MFX trabalha com até 22 efeitos simultâneos. Como sintetizador, o Fantom é um dos filhos mais estudiosos da Roland.
Conclusão: O V-Studio é uma ferramenta intermediária entre grandes estações de trabalho altamente profissionais e sistemas mais pobres, nem por isso ineficientes. Atende ao segmento crescente dos adeptos da computer music que não se contentam mais com pouco, e tem um olho na produção de som aliada a vídeo.